
O PRESIDENTE MAIS JOVEM DOS 105 ANOS DO SPORTING CLUBE DE LUANDA FALA DE ESTRATÉGIA, finanças e do desafio de gerir o clube com ambições de elite. O custo mensal para manter o “Leão” em pé? Cerca de 75 milhões de Kz. Engenheiro de Petróleos de formação, basquetebolista e coach, o jovem líder do centenário Sporting Clube de Luanda, está a redesenhar o destino de um dos emblemas mais antigos do desporto angolano, aplicando à gestão desportiva a mesma lógica analítica com que trabalha na indústria petrolífera. Entre histórias de bola ao cesto e projectos de mil milhões de kwanzas, o também CEO da petrolífera norte-americana Alfort desvenda os números por trás da ressurreição do “Leão dos Coqueiros”: “Eu sou engenheiro, mas, acima de tudo, sou sportinguista”. É assim que Gianni Martins se define, ao ser questionado sobre quem encara a liderança de um clube histórico não como um cargo, mas como um modo de gestão. A sua formação na Universidade de Tulsa, nos EUA, e a sua experiência à frente da Alfort são os pilares de uma abordagem que mistura paixão clubística com contabilidade.
No comando do Sporting, que permaneceu inactivo durante 27 anos, o jovem líder implementou desde o primeiro dia uma estratégia clara: “O nosso primeiro passo foi devolver o clube à competição. Por as equipas a jogar era a única forma de reactivar a marca e o seu valor comercial”.
Os resultados desportivos confirmam a tese: Num ano, o basquetebol masculino alcançou as meias-finais do Unitel Basket e o feminino sagrou-se campeão nacional, garantindo o bilhete directo para a Liga Africana. No andebol, o título nacional, atrás das potências continentais Petro de Luanda e 1º de Agosto, e o título nacional de judo completam um quadro de sucesso desportivo imediato. ‘De zero a cem, saímos do menos cem e estamos agora no menos cinco’, afirma Martins, resumindo com um indicador tangível o ponto de partida financeiro do clube.
OS NÚMEROS DO LEÃO
Para sustentar esta ambição,a estrutura tem um custo operacional mensal de aproximadamente 75 milhões de kwanzas, valor suportado por uma rede de sócios e empresários, contactados mensalmente numa estratégia de financiamento colaborativo. O próximo grande salto, no entanto, depende de um investimento de capital: a construção de um pavilhão próprio, um projecto orçado em quase mil milhões de kwanzas. A infra-estrutura, explica Martins, não será apenas um palco desportivo, mas um asset gerador de receitas e um museu para as “mais de quatrocentas taças” que contam a história do clube. “Queremos transformar a nossa sede num espaço de todos os Sportings de Luanda a Benguela de Portugal a Moçambique”, projecta o presidente vislumbrando o potencial do brand Sporting como um activo transnacional.
ANÁLISE FINANCEIRA
A gestão de Gianni Martins oferece um caso de estudo em turnaround de uma instituição com elevado capital social, mas sem solidez financeira. A capacidade de mobilizar capital através de redes de networking, enquanto gera valor de marca através do sucesso desportivo, demonstra um modelo viável para a revitalização de assets. O desafio, comum a muitos negócios, será escalar esta fase inicial de resgate para um modelo de auto-sustentabilidade, onde o grande investimento em infra-estruturas se transformem em fluxos de caixa regulares, reduzindo a dependência de financiamento externo.
Fonte: www.economiaemercado.co.ao | Janeiro 2023



