
Gestores públicos e privados reuniram-se no Forbes África Lusófona Annual Summit 2025 para reflectir sobre o que define a liderança angolana num contexto de transformação económica e social. Comunicação, integridade e capacidade de inspirar marcaram o debate.
O painel “Estilo de liderança angolana: o que define”, integrado no Forbes África Lusófona Annual Summit 2025, realizado em Luanda, promoveu uma reflexão alargada sobre as diferentes abordagens de liderança adoptadas pelos gestores angolanos, bem como os desafios de motivar, gerir e orientar equipas num contexto económico e social em transformação. Mais do que um conjunto de técnicas, o estilo de liderança foi analisado como a forma como um líder dirige, inspira e se relaciona com a sua equipa, reflectindo métodos, comportamentos, valores e uma filosofia própria de autoridade e tomada de decisão. O presidente do conselho de administração do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Anselmo Monteiro – um dos cinco oradores do painel moderado por Nilza Rodrigues, directora editorial da Forbes África Lusófona –, defendeu que liderar uma instituição pública exige uma combinação multifacetada, que articula visão estratégica, responsabilidade política e um compromisso firme com os pilares da administração pública. Segundo o responsável, o INSS tem vindo, nos últimos anos, a incorporar conceitos da gestão privada na gestão pública, como forma de reforçar a eficiência e os resultados. “Não podemos ter uma gestão pública empírica. Ela tem de ser baseada em planificação e orientada para resultados, porque o cidadão que está do outro lado espera respostas concretas da administração pública”, afirmou, sublinhando que o papel do Estado é servir o cidadão, criando soluções, e não barreiras.
A importância de envolver as equipas e transformar mentalidades, reconhecendo que se trata de um processo gradual. “Isto não se faz do dia para a noite”, afirmou. Já o presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola (AmCham-Angola), Pedro Godinho, apontou a fragilidade do sistema de liderança como um dos principais entraves ao desempenho das empresas no país. Para o empresário, um líder deve ter como base fundamental a capacidade de comunicar claramente a visão, os projectos e a estratégia, assegurando que estes são compreendidos por todos os níveis da organização. “A comunicação do topo para a base é essencial. Quando isso não acontece, gera-se dispersão, porque os liderados deixam de saber qual é o objectivo central e qual o ponto de chegada”, alertou, defendendo que esta lacuna compromete a eficácia da liderança empresarial.
Na mesma linha, o CEO da SGS Angola, Adilson Paulo, reconheceu que ainda existe uma longa caminhada a percorrer no domínio da liderança, sobretudo no sector público, mas sublinhou o surgimento de novas lideranças e vozes que têm contribuído para representar positivamente Angola. O gestor defendeu que os princípios de liderança deveriam ser trabalhados desde cedo na sociedade, com maior enfoque no compliance e na integridade. “A regra de ouro — tratar o outro como gostaríamos de ser tratados — deveria ser um princípio-base desde a infância. Quando estes valores são incutidos cedo, o indivíduo chega ao mundo corporativo mais bem preparado para liderar”, afirmou. Para o director-geral da Alfort Petroleum, Gianni Gaspar Martins, liderar é, antes de tudo, inspirar, num contexto particularmente desafiante como o angolano, onde cerca de 65% da população é jovem. Segundo o gestor, no sector privado, um dos principais obstáculos à liderança eficaz é o informalismo ainda presente em muitas empresas. Com longa experiência no sector petrolífero, Gianni Martins defendeu que a atenção rigorosa aos processos e procedimentos, característica de sectores intensivos em capital, deveria ser transversal a outras áreas da economia. Acrescentou ainda que um dos grandes desafios dos líderes actuais é gerar resultados num ambiente competitivo, onde é necessário pensar fora da caixa, mesmo quando parece haver pouco espaço para inovação. A questão da liderança feminina foi abordada pela fundadora e CEO da Imcuba Angola, Sofia Chaves, que descreveu o exercício da liderança feminina no país como um equilíbrio constante entre força e resiliência. Reconhecendo avanços no mercado, admitiu que persistem barreiras culturais, estereótipos e desafios de reconhecimento. “É um caminho que se vai construindo. Enquanto líderes, temos de abrir portas e ser exemplos, mostrando não apenas o que dizemos, mas sobretudo o que fazemos”, afirmou, defendendo a meritocracia e o reconhecimento das competências como pilares para uma liderança mais justa e inclusiva. Em síntese, os Em síntese, os participantes convergiram na ideia de que um líder eficaz domina um repertório diversificado de estilos, sabendo adaptá-los às circunstâncias, às equipas e aos objectivos estratégicos. Num país com recursos abundantes e elevado potencial humano, os gestores sublinharam que o verdadeiro desafio passa por alinhar energias, reforçar a qualidade da liderança e concentrar esforços em objectivos concretos, capazes de responder às necessidades dos cidadãos e de sustentar o desenvolvimento económico e social de Angola.
Fonte: FORBES ESPECIAL ANNUAL SUMMIT ANGOLA 2025 – página 26 e 27.
