
Após décadas marcadas pelo sucesso em águas profundas, o sector upstream de Angola está a redescobrir o seu potencial onshore. Antes ofuscadas pelos prolíficos blocos offshore, as bacias inland do país voltam a emergir como uma fronteira estratégica — agora liderada não pelas supermajors, mas por empresas independentes de petróleo e gás dispostas a assumir riscos em fases iniciais em busca de valor no longo prazo.
Esta mudança ganha forma em bacias como a do Kwanza e do Congo, onde independentes estão a avançar com campanhas sísmicas, a consolidar áreas concessionadas e a preparar actividades de perfuração que poderão desbloquear novas reservas e prolongar a vida do sector de hidrocarbonetos de Angola. Entre os novos entrantes mais activos está a empresa energética nigeriana Oando, que entrou formalmente no mercado upstream angolano no início de 2025, ao assumir a operadoria do Bloco KON 13, na Bacia Onshore do Kwanza. Detentora de uma participação de 45%, a Oando posicionou o bloco como uma oportunidade de exploração de longo prazo, visando plays pouco explorados com análogos aos sucessos offshore.
A Corcel também se destacou como um dos principais motores do impulso onshore. A empresa cotada em Londres consolidou a sua participação no Bloco KON 16, na Bacia Onshore do Kwanza, para pouco mais de 70%, através de acordos com parceiros como a Intank Global e a Sintana Energy. A empresa está a avançar com estudos técnicos e a alavancar dados sísmicos existentes e novos, à medida que se aproxima de um programa de perfuração previsto para 2026. Pela sua escala e crescente clareza técnica, o KON 16 é amplamente visto como um dos projectos de exploração onshore mais acompanhados em Angola.
A expandir ainda mais a presença das independentes, a ReconAfrica assinou, em Abril de 2025, um acordo com o regulador upstream de Angola, a ANPG, para explorar mais de cinco milhões de acres em áreas inland pouco exploradas. Embora ainda numa fase inicial, a entrada da empresa evidencia a disposição do Governo em abrir áreas de fronteira a companhias com apetite para exploração pioneira de bacias. Em paralelo, operadores angolanos como a Etu Energias e a Alfort Petroleum estão a avançar com esforços de interpretação sísmica e avaliação de campos, com a Alfort a apontar para a submissão de uma proposta de poço para o Bloco KON 8 no segundo trimestre de 2026, reforçando a amplitude do interesse pelo segmento onshore.
A capacidade de Angola para atrair investimento independente em áreas inland resulta também de uma mudança deliberada de políticas, focada em melhorar a competitividade, a transparência e a flexibilidade. Central para este esforço tem sido o ciclo plurianual de licenciamento, lançado em 2019, que visou atribuir dezenas de novas concessões tanto offshore como onshore. Com a atribuição regular de novas concessões, Angola reduziu a incerteza e permitiu às empresas planear estratégias de exploração no médio prazo.
Igualmente relevante foi a introdução do regime de oferta permanente, que permite às empresas negociar o acesso a blocos disponíveis fora dos concursos formais. Este mecanismo revelou-se particularmente atractivo para as independentes, ao possibilitar oportunidades à medida, sem a necessidade de esperar por concursos programados. Em conjunto com contratos de serviços de risco e enquadramentos para campos marginais, o regime oferece múltiplos pontos de entrada adequados a diferentes estruturas de capital e perfis de risco.
“Estas ferramentas de política estão agora a convergir com o diálogo da indústria na conferência Angola Oil & Gas (AOG), que se tornou uma plataforma central para impulsionar as ambições onshore do país”, afirma NJ Ayuk, Presidente Executivo da African Energy Chamber.
A edição de 2026 da AOG foi oficialmente lançada em Luanda esta terça-feira, assinalando o próximo capítulo de um evento que entra na sua sétima edição e se posiciona como catalisador de até 70 mil milhões de dólares em investimento ao longo da cadeia de valor upstream. Previsto para Setembro, o evento reúne líderes governamentais, operadores, financiadores e empresas de serviços, com o objectivo de transformar o sucesso do licenciamento em projectos executáveis.
“Ao dar destaque às bacias onshore a par dos desenvolvimentos offshore, a AOG oferece um fórum para que as independentes mostrem progressos, assegurem parcerias e se alinhem com a estratégia energética de longo prazo de Angola. À medida que o país procura sustentar a produção e atrair capital diversificado, o regresso ao onshore — liderado por empresas ágeis e focadas na exploração — está a tornar-se uma parte cada vez mais importante da narrativa. Neste novo capítulo, as bacias inland de Angola já não são um activo legado, mas uma fronteira que volta a moldar o futuro da sua indústria de petróleo e gás”, conclui Ayuk.
Fonte: Africa Energy Chamber



