
Tenho pensado bastante sobre a forma como tratamos a criatividade quando falamos de juventude. Em muitos contextos, ela ainda é vista como um dom espontâneo, quase como se estivesse reservada a algumas pessoas especialmente talentosas. Essa leitura limita a conversa sobre educação, porque a criatividade não surge pronta. Ela desenvolve-se quando encontra repertório, método, estímulo intelectual e espaço para experimentação.
Num país como Angola, este tema ganha ainda mais importância. Preparar os jovens para o futuro exige mais do que transmissão de conteúdos. Exige formação capaz de ampliar a leitura de mundo, fortalecer a capacidade de análise, estimular perguntas consistentes e transformar conhecimento em realização concreta. É nesse ponto que criatividade, educação e futuro deixam de ser temas separados.
A leitura tem um papel decisivo nesse processo. Ler bem amplia vocabulário, melhora o raciocínio, fortalece a argumentação e dá ao jovem mais profundidade para compreender o mundo. Quando uma sociedade valoriza a leitura e a escrita com seriedade, ela está a formar visão, linguagem e autonomia intelectual. Vejo isso com clareza no Prémio Literário GGMF (https://premioliterarioggmf.com/), que ajuda a criar um ambiente em que a palavra volta a ocupar um lugar central na formação e no desenvolvimento de novos talentos.
A ciência também ocupa um lugar fundamental nessa construção. Durante muito tempo, habituámo-nos a separar arte e ciência, como se uma pertencesse à imaginação e a outra ao rigor. O futuro pede a combinação das duas. A ciência ensina observação, disciplina mental, investigação, teste e aperfeiçoamento. O Kandengues Cientistas (https://ggm-foundation.org/kandengues/) traduz bem essa visão ao aproximar os jovens de áreas como robótica, programação, electrónica, arte, educação ambiental e tecnologias espaciais. Quando esse contacto acontece, o conhecimento deixa de ser algo distante e passa a ser percebido como ferramenta de construção, experimentação e solução.
A experiência completa essa formação. Muita aprendizagem continua excessivamente abstracta, quando o jovem também precisa de território, contexto e contacto com a realidade. Há conhecimentos que ganham outra força quando se ligam à história, à cultura e à paisagem do próprio país. A Academia Geostratos (https://ggm-foundation.org/geo/) representa bem essa visão de formação mais ampla, em que aprender também passa por conhecer Angola de forma mais profunda. Quando isso acontece, a educação deixa de ser apenas transmissão de conteúdo e passa a formar percepção, responsabilidade, maturidade e horizonte.
Quando leitura, ciência e experiência se encontram, a criatividade ganha consistência. O jovem passa a ter mais repertório, mais iniciativa e mais condições de imaginar o futuro com fundamento. É por isso que continuo a acreditar que investir na juventude exige ambição, mas também profundidade. Exige criar ambientes em que o conhecimento se converta em expressão, descoberta e realização.
Formar jovens criativos não significa apenas estimular talento. Significa preparar uma geração mais capaz de interpretar o país, participar do seu desenvolvimento e construir soluções com mais inteligência, sensibilidade e visão.
Na tua opinião, o que mais expande o futuro de um jovem hoje: leitura, ciência, experiência prática ou a combinação das três?


